Terá sido por volta de  2007 que o conheci. Estava eu no Rádio Clube, no Porto, a trabalhar como produtor. Dele, recordo-me da simpatia com que aceitou o convite para ir à rádio, ao telefone, e pela humildade com que disse que não percebia muito bem porque é que o queríamos lá na rádio e também a preocupação em não saber se conseguiria chegar a horas, pois tinha consulta no dentista para esse dia da entrevista.

No dia marcado, lá apareceu, pontual e simpático. Recordo-me que apesar de tudo estava um bocado chateado porque tinha vindo do dentista e não estava muito contente com o resultado. Depois, entrou para o estúdio onde durante meia-hora esteve à conversa com o pivot (se não me engano, foi falar de uma obra que tinha lançado recentemente). Com os meus afazares todos, não consegui ouvir a conversa. Contudo, lembro--me de que quando saiu do estúdio, fez questão de se vir despedir de mim e agradecer o convite, dizendo que tinha gostado bastante daquela meia-hora e que por ele até tinha lá ficado mais tempo. Disse-lhe que isso era óptimo e que então tinha que lá voltar.

Não sei se regressou ou não. Meses depois saí daquele projecto e da cidade do Porto. Reencontrava-o apenas nas páginas da Notícias Magazine e na última página do JN. Era das poucas "leituras obrigatórias" naquele diário.

Não sou grande conhecedor da sua obra, confesso. Mas conquistou-me a admiração pela postura. Era daquelas pessoas que, apesar da figura franzina, enchia por completo uma sala com a sua presença.

Onde quer que esteja, com certeza que está num sítio melhor.

RIP Manuel António Pina