Rage against the machine

03:39:00

Isto de um tipo, assim quase do nada, passar de argumentista a jovem agricultor (ou acumular as duas actividades, vá...) tem que se lhe diga. Um dia despejarei para aqui tudo o que fui aprendendo sobre cultivo, animais e outras questões relacionadas com o dia-a-dia de uma quinta.

Mas hoje vai servir para mostrar que eu estou efectivamente na profissão certa. Escrever coisas é comigo, arranjar coisas é outra... e não é comigo. Pois que quinta que se preze, além dos animais e hortas tem um tractor. E há lá jovem do sexo masculino que não andou a brincar com um quando ainda usava fraldas (será que os meus pais já me estavam a indicar o caminho?). A questão é que um tractor de verdade é um "brinquedo"... hum... difícil. Se conduzi-lo é uma tarefa que se aprende rapidamente (assim que dominamos a caixa de velocidades e nos habituamos à posição de condução central), fazer a manutenção de uma máquina destas é coisas para especialistas. Aquelas pessoas que estudaram ou têm formação para trabalhar nisto e que eu claramente não sou. Como é que é mesmo? Isso, os mecânicos.


Ora, não sei porque carga de raios, tendo plena consciência que o meu conhecimento mecânico é praticamente teórico (consigo explicar de forma genérica o funcionamento de um motor de ciclo Otto... ah ah por esta não esperavam, hein?!), olhei para aquele farol dianteiro que não funcionava e pensei: "Ah, porra! Puta que pariu se eu não arranjo isto!" 

A primeira parte consistiu em diagnosticar o problema. A luz não acendia, logo, julguei eu, está fundida. 

Solução: remover o farol para retirar do interior a lâmpada fundida.

Cinco minutos depois, e a suar como o caraças, ainda andava de volta dos parafusos porque nunca me recordo para que lado apertam e desapertam. Lembrei-me então que se calhar é mais fácil tirar a grelha frontal onde os faróis estão ligados. 

Abre aqui, desaperta ali e grelha para fora. Não ajudou grande coisa, por isso continuei a retirar o farol. 

Para aí quinze minutos depois tenho o malfadado farol na mão, mas perdi mais uns cinco minutos a tentar perceber como é que o conseguia abrir para tirar a lâmpada do interior (mas estas merdas têm todas que ter truque?). Depois de fazer esta figura,  lá acabei com a p*** da lâmpada na mão.  À minha volta está uma confusão de chaves, porcas, parafusos espalhados. Observo a mesma com atenção, "Hum... isto não parece estragado!". Uma espécie de luz divina deve ter descido sobre mim e lembrei-me de ligar novamente a lâmpada aos fios. E eis então que reparo que há um terceiro fio... que não estava ligado. E no qual nem reparei ao início. Olho para o outro farol... também tem três fios ligados. "Tu queres ver que...". Ligo o tal fio. Vou ligar os faróis já a rosnar baixinho e, claro... fez-se literalmente luz. 

A quantidade de impropérios que soltei envergonhava uma pessoa do Porto. Agastado, mas não derrotado, recomeço o processo inverso para colocar o sacana do farol no sítio. Claro que o melhor estava para vir. Não, não faltavam peças, mas quando estou a colocar o farol no sítio, uma pancada mais forte (as pessoas tendem a recusar que, por vezes, uma pancada é tudo o que é preciso para resolver uma coisa nas mais variadas facetas da nossa vida...) e "clac"... um pequeno barulho que traduzido significa algo como "Já fizeste merda.". Pronto, lá se foi uma minúscula peça de plástico que é só, , a porcaria que assegura que o farol se mantém no lugar. 

E pronto. Arrumei o raio do tractor no armazém, que ficou com um ar desolador, sem um farol, coisa triste de se ver. Saí da quinta derrotado e com a garantia de que hoje vou ter que fazer uma visita aqueles senhores de cujo o nome nunca me lembro... como é que é mesmo? Ah, isso... mecânicos.

You Might Also Like

2 pessoas com demasiado tempo livre comentaram isto