Rage against the machine - the return of the guy who doesn't know a thing about mechanics

Depois da primeira batalha desigual com o maldito farol (!), hoje voltei à carga e conquistei a vitória nesta guerra contra a máquina (e a minha mania de que sei destas coisas).

Como gajo teimoso que sou, dediquei-me a estudar o raio da peça partida e a forma como aquilo mantinha fixo o farol. Minutos depois, a conclusão: "Foda-se, isto vai lá com um parafuso e uma porca! Não preciso da porcaria da peça.".


Na verdade, estava só a tentar arranjar todos os pretextos possíveis para não ir a uma oficina de mecânica. É que há quem tenha aversão aos dentistas, aos hospitais ou até a tirar sangue, eu tenho medo de oficinas.

Então, dou por mim a entrar numa loja de material de construção civil (eu faço mesmo de tudo para evitar as oficinas) com um farol de tractor na mão (aprendi por experiência própria e desde muito cedo que é melhor meter as coisas à frente das pessoas do que perder três horas a explicar o que se pretende). A senhora que estava atrás do balcão olhou para mim, olhou para o farol, voltou a olhar para mim e já ia a disparar "Ah, isso não é aqui que...", quando eu lhe cortei o pio, "Eu sei, mas acho que vou ter sorte aqui!" (esta é uma das melhores frases para deixar as pessoas com ar aparvalhado. Mission accomplished). 

Entretanto já se tinha juntado o dono da loja a olhar com ar muito admirado para o farol como se fosse a primeira vez na vida que via um. "Olhe que isto aqui tem que ir...", já à espera retorqui, "Mas acho que vou ter sorte aqui!" (The Coiso 2 - People - 0). "Está a ver? O que eu preciso é de um parafuso que entre aqui e depois uma porca que aperte aqui por trás!" e juro que os olhos do homem brilharam por momentos quando disse "Ah, mas eu tenho isso!". Olho em volta, discretamente, para confirmar que estou numa loja de material para construção civil, não me tivesse distraído e entrado numa padaria. It happens.

Lá regressou o senhor com uma caixa com vários parafusos. Ajudou-me a montar aquilo e, conforme esta mente brilhante previra, a ideia resultava. O homenzinho ficou tão entusiasmado que, como bónus, quando lhe perguntei quando custavam os parafusos, ele ofereceu-os.

De regresso à quinta, ia tão entusiasmado com a ideia de reparar aquela porra que acho que passei um vermelho, mesmo debaixo dos bigodes (literalmente) de uma patrulha da GNR. Já na quinta, ainda demorei uma meia-hora a montar aquela porra toda, mas efectivamente ficou a funcionar. 

O pior veio depois. Olhei para o tractor de alto a baixo com aquela secreta esperança de que algo se avariasse... para eu tentar consertar. 

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