Vibes e bicicletas ou "Como um gajo já não caminha para novo"

02:07:00

De vez em quando um tipo tem um "vibe" (leia-se "vaibe", bonita expressão que fez sucesso na segunda metade da década de 90 do século passado). Hoje acordei com vontade de ir à garagem dos meus pais procurar a minha bicicleta. Não quer dizer que seja para andar nela, um gajo pode querer apenas limpar o raio da bicicleta, não?

Mas lá fui resgatá-la dos confins da garagem. Pneus vazios, corrente sem óleo, travões fodidos, alguma ferrugem. Uma tarde inteira de volta daquilo e como resultado final: bicicleta com ar impecável.

E foi aqui que a coisa começou a descambar. Ao olhar para a bicicleta, toda limpa e reluzente, de que é que eu me haveria de lembrar? Claro está, rua abaixo, e lá ia eu todo contente, a levar com o vento na tromba e a recordar memórias de infância e adolescência (em que a bicicleta era a rainha, vilmente destronada pelo automóvel na idade adulta). Chamo a atenção para a linha onde escrevi "(...) rua abaixo (...)"

Talvez isto me motive a andar de "bina".

Quando dei conta, já tinha pedalado uns bons quilómetros... a descer. "Bem, para alguma coisa servem as mudanças da bicicleta", pensei eu. "Mete-se numa mais leve e não há-de ser nada". Poor little dude. A meio do caminho julguei que era hoje que eu ia de esta para melhor. Não me restou alternativa a não ser a humilhação das humilhações, desmontar e seguir a pé com a bicicleta ao lado. Claro que sempre que me cruzava com algum transeunte olhava com ar muito entendido para a corrente e para os carretos das mudanças como que a dar a entender que alguma coisa estava mal com aquilo e por isso, e só por isso, é que eu ia a pé e não a pedalar. Chegado a casa mais parecia que tinha acabado de correr uma maratona. 

Conclusão: Bicicleta devolvida à garagem. Talvez um destes dias me dê outro "vibe".

Para já, concluo também que tenho que deixar de fumar.

Wait! What? Mas eu não fumo. Nem essa desculpa posso usar.

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