"Flexibilizar o mercado de trabalho"

Acho um piadão à expressão ali acima. É dita, escrita e apresentada como uma das soluções para relançar a moribunda economia nacional. Um D. Sebastião que regressa numa manhã de nevoeiro para trazer prosperidade a este canto à beira-mar. O que é curioso é que sempre que oiço esta expressão soa-me sempre a algo como "foder (ainda mais) os trabalhadores".

Vai-se flexibilizar o mercado para beneficiar quem? Os trabalhadores? Pois... na teoria, no papel, na mente dos economistas principescamente pagos para lançarem bitaites sobre a "conjectura economica internacional" a coisa talvez resulte, mas transpondo-a para a realidade lusitana aí... aí já é outra conversa.


Não duvido (duvido um pouco, vá...) que talvez seja uma das ferramentas para alavancar a economia nacional, mas isto era coisa para resultar nos países do Norte da Europa, onde a mentalidade e o respeito pelos trabalhadores é algo que não faz parte do campo da intenção. Em Portugal, com o patronato que temos (a grande maioria dos pequenos e médios empresários são da casta dos "chicos-espertos", o típico líder (?) mais apostado em sacar dinheiro a todos os custos - principalmente à custa dos seus trabalhadores, e a enganar o Estado do que propriamente a promover o crescimento e inovação da sua empresa) isto soa música aos seus ouvidos, com a possibilidade de "flexibilizar" despedimentos e contratações de funcionários a seu bel-prazer, promover infindáveis estágios e, claro, continuar a sua tarefa de amealhar para o bolso.

Por isso, da próxima vez que me tentarem vender esta ideia, a minha resposta é:

Flexibiliza-mos!*



* Uma bonita e adaptada variação do "chupa-mos!"

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