Burro sou eu por perder tempo com isto.

11:09:00


Sobre aquela história da revista Sábado e da peça sobre a alegada ignorância dos nossos universitários. Se ao início todos se escandalizaram, pouco depois, surgiram outros tantos (“empurrados” por um dos jovens que respondeu que Miguel Arcanjo teria pintado o tecto da Capela Sistina, e que acusa a jornalista de ter distorcido os resultados e avançar judicialmente contra a mesma e a publicação para a qual trabalha) a criticar a peça jornalística, porque assentava numa generalização e, logo atrelada, lá veio a crítica habitual sobre o mau jornalismo que se pratica cá no burgo. Pois bem, indo por partes:


1 - O rapaz até pode não ser ignorante. Mas é claramente estúpido. Se não sabe a resposta, admitia-o. É mais ridículo estar a tentar justificar-se do que dizer que não sabe a resposta correcta.


2 - Há certos profissionais que, tendo em conta a dimensão da sua actividade, há que medir bem o que lhes dizemos ou ter a devida consciência de que as nossas declarações vão ser usadas por eles num determinado contexto. É o caso dos agentes da autoridade, dos juízes, advogados... e dos jornalistas. Se um profissional destes vier ter connosco na rua, identificar-se como tal e nos explicar que está a realizar um trabalho e que nos quer entrevistar é óbvio que aquilo que lhe dizemos será utilizado por ele. O problema é que as pessoas, muitas vezes, não pensam duas vezes antes de abrirem a boca. Sei do que falo. Enquanto ex-jornalista também tive os meus casos de entrevistados que acederam a falar, depois negaram que haviam falado e, por fim, confrontados com os registos da conversa, ainda tinham a lata de dizer que havia adulterado as declarações.


3 - Corre a acusação de que a jornalista, e o órgão de comunicação social para o qual trabalha, estão a dar um exemplo de mau jornalismo, generalizando que os estudantes universitários, os jovens portugueses, são ignorantes. Pois, cá vai... é verdade! Só quem não lidar de perto com jovens é que se recusa a aceitar a gritante falta de cultura geral que revelam. Não lêem, não escrevem, têm resultados medíocres na escola e, cereja no topo do bolo, não parecem nem um pouco preocupados com isso. Obviamente que nem toda a juventude portuguesa é ignorante, mas arrisco-me a dizer que uma grande maioria é. 


4 - Avançar com uma acção judicial só revela a falta de inteligência do jovem. Ele sabia que estava a prestar declarações para um órgão de comunicação social, logo, autorizando a que as mesmas fossem reproduzidas. E assim foram, juntamente com as de dezenas de outros jovens. A revista queria apenas ilustrar a falta de cultura geral dos jovens universitários e assim fez. A peça jornalística cumpre um propósito, não foi pensada para ofender ou atentar contra o bom nome de ninguém. Não me parece que um juíz dê razão à “dama ofendida”. Não existem elementos para provar que a Revista Sábado e a jornalista que assina o trabalho tenham ofendido o bom nome de quem quer que seja. Nem compete aos tribunais pronunciarem-se se se trata de um caso de bom ou mau jornalismo.


5 - Observando as reacções ao caso (nomeadamente no Facebook, pois é mais fácil clicar em “like” do que usar a massa cinzenta para argumentar ou elaborar uma opinião), acho absolutamente deliciosas declarações como “os jornalistas são todos escumalha” ou “aprendam a fazer jornalismo”. Então, mas... estão a acusar uma jornalista de generalizar a burrice de alguns jovens a todos os universitários, e ao mesmo tempo aproveitam para acusar toda a classe jornalística de serem maus profissionais? Todos?


6 - Em tempos, deram-me um conselho muito bom. “Não cantes sobre a tua merda.” Isto é, se fizeres merda, certifica-te que não chamas atenção para ela. Pois, como toda a merda, cheira muito mal quando é feita, mas o cheiro desaparece passadas umas horas e mais ninguém liga à tua merda, mas sim a uma merda mais fresca.

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