E eu nem fumo.

Há mistérios na vida. Um dos mais misteriosos (eu sei que estou a ser redundante, mas eu não tenho muitas oportunidades para ser redundante no meu dia-a-dia, por isso, deal with it) é o pessoal que fuma tabaco de enrolar. Aliás, mais concretamente, malta que se dá ao trabalho de fazer os próprios cigarros. 

Eu não fumo. Fumei para aí uma semana durante o liceu (influências de grupo são fodidas) e nunca mais peguei num cigarro. Nunca percebi o prazer que se sente de fumar. Além de que o cheiro a tabaco não é propriamente o meu favorito. Contudo, o meu contacto com o tabaco vem desde muito novo. Começando nos cigarros de chocolate que o meu pai me comprava (hum, agora, à luz do que se pensa e se diz, dá para perceber porque é que extinguiram essas delícias de chocolate. Ver miúdos de seis anos com um cigarro nos queixos era uma imagem capaz de levar a algum histerismo), passando pelo facto de ambos os meus progenitores fumarem, de quase todas as minhas namoradas serem fumadoras e terminando nos amigos e colegas de trabalho adeptos da "passa". Seria normal que fumasse, seria. Mas tendo em conta que o Glorioso, com a qualidade que tem no plantel, também devia jogar futebol de primeira linha, não há por aí lógica que resista.

Nos últimos tempos, a quantidade de amigos fumadores que se tornaram adeptos do tabaco de enrolar tem crescido. O argumento que me vendem é de que é mais barato. Nunca me dei ao trabalho de fazer contas, até porque era parvo dar-me a esse exercício, se não fumo. Mas será que fica mais barato comprar o tabaco, os filtros e as mortalhas? Mais barato que um maço onde já vêm os cigarros ready made?

Fumar tabaco de enrolar também é uma atentado à coolness de um tipo (ou tipa). Sacar do maço (de um icónico Marlboro ou Camel), tirar um cigarro, acendê-lo com recurso a um isqueiro (se for um Zippo é a cereja no topo do bolo de coolness) é um acto que está marcado em várias gerações. O cinema e a televisão a isso ajudou.

Há ainda outra coisa que me deixa a pensar. Fumar numa discoteca/bar, no carro no meio do trânsito, à porta da empresa onde se trabalha são gestos normais para os fumadores. Agora imagino o que será fazer cigarros de tabaco de enrolar nesses ambientes. No meio dos encontrões da pista de dança? Ao balcão do bar? Enrolar cigarros enquanto se conduz? E fazer um cigarro num dia ventoso? Dá que pensar.

Outra coisa que me espanta (e ao mesmo tempo leva a que admire esta malta do tabaco de enrolar) é a quantidade de tralha que trazem consigo. É a embalagem do tabaco, o saquinho dos filtros, a caixinha das mortalhas e, em alguns casos, a máquina para fazer os cigarros. Somando tudo, pelo menos 4 objectos, que normalmente são guardados numa bolsinha. Tanta coisa que pode ser condensada num simples maço que cabe no bolso das calças. Vá-se lá perceber.

Em último caso, há algo que me convenceria definitivamente a não escolher tabaco de enrolar, caso fumasse. É o ar de atrasado mental que um tipo faz quando está a aprender a enrolar os cigarros. 

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