Eu não gosto de discotecas.

É verdade. Não gosto mesmo. Estupidamente, precisei de uns quantos pares de anos e chegar a esta idade para o perceber. Para ajudar à festa, a grande maioria dos meus amigos parece gostar muito de frequentar discotecas. Mas afinal, porque é que não gosto de discotecas? Bem, há mais do que um motivo agora que parei para pensar nisso. 

Comecemos pelo mais óbvio, a música. A grande maioria das discotecas deixam muito a desejar neste aspecto. Entre a música mais comercial, a que está "na moda", até a coisas verdadeiramente impossíveis de ouvir e dançar, claro.  Cansei-me de ir a esses espaços e ouvir música de que não gosto. Pura e simplesmente, não gosto. Logo, se não aprecio, não irei lá mais. Se em condições normais não ouviria aquelas músicas, porque é que quando me quero divertir ou ouvir música me vou meter numa discoteca?

Depois há a questão do ambiente neste tipo de espaços. Por alguns tempos (semanas?), quando os proprietários se preocuparam em cumprir a lei, foi proibido fumar. E foram tempos felizes. Se foram. Lembro-me de achar curioso chegar a casa e não ter a roupa a cheirar a fumo de tal maneira que, se passasse por um detector de incêndios, o mesmo dispararia. É bastante mais agradável estar num sítio onde não se tenha que levar com o fumo do tabaco alheio. Outra coisa que veio ajudar ao facto de não querer ir mais a discotecas é a lógica de que: uma boa discoteca é uma discoteca cheia, a abarrotar de gente, todos juntinhos, quais sardinhas em lata. Como se não bastasse, quando finalmente se consegue encontrar um "poiso", onde é possível respirar sem ser para cima da desconhecida que está ao nosso lado e, vá lá, "dançar com os olhos" (pois, se não há espaço...) há sempre pessoas a passar e a dar encontrões. É algo que me faz confusão. É gente que tem sempre que ir a algum lado. Eu tenho esta teoria de que é malta que faz jogging na discoteca. Acredito que ao fim de umas horas a dar voltas à pista perde-se uns quantos quilos.

Outro motivo que me faz alguma espécie quando frequento discotecas é aquelas pessoas que tentam insistentemente em ter uma conversa sobre a coisa mais inapropriada possível para conversar ("Então como é que fizeste para conseguir fazer aquele trabalho?"; "Já viste aquele filme novo que estreou? O que é que achas?"; "Consegues explicar-me como se dá o processo da fotossíntese nas plantas?"). Este é um verdadeiro clássico. Gosto de conversar e sou conversador por natureza, mas estar aos grito ao ouvido de outrem não é propriamente aquilo a que eu chamo "conversar". É óbvio que existem discotecas que têm locais onde se pode dar dois dedos de conversa. Mas o mais curioso é que estes "conversadores de discoteca" têm uma estranha tendência para quererem falar em plena pista. Ou noutro local igualmente barulhento. Tendo em conta que a voz era o meu principal instrumento de trabalho, não era muito agradável ir no dia seguinte dar notícias com a voz toda fodida...

Esta situação das conversas leva-me a outro dos motivos porque vou mandar à fava as discotecas. Incrivelmente, um tipo não pode abordar uma tipa na discoteca que está obrigatoriamente a desenvolver esforços para a "comer". Nem que tenha apenas pedido licença para poder passar. Homem que dirija a palavra a uma mulher dentro de uma discoteca só tem uma coisa em mente. É assim que se pintam as coisas na maioria das vezes. Como se não existissem mulheres noutros locais. Sei lá, assim de repente... no local de trabalho, na vizinhança, na faculdade, nos restaurantes, nos cafés, ao virar da esquina. Não. Macho que queira conhecer fêmea vai à discoteca. 

Deixei para o fim uma das questões que mais me perturba. Alguém consegue explicar porque é que as discotecas têm seguranças? Porteiro, ou alguém que distribua os cartões à entrada e os recolha à saída, ainda consigo compreender. Mas ter "armários" dentro da discoteca para quê? Devemos assumir que quem vai a uma discoteca tem no seu rol de prioridades, armar confusão? Agora que perdi tempo a pensar nisso, eu não quero estar num sítio onde estou a ser vigiado. Onde, por vezes, um mal entendido insignificante  que poderia ser simplesmente resolvido, "graças" à intervenção desses indivíduos ganha proporções bem maiores. A justificação mais comum é que estão lá para colocar os desordeiros na rua. Mas se seguirmos esta lógica porque é que os bares não têm seguranças? Os restaurantes? Até mesmo, os cafés? Nada nos garante que não entremos num bar ou café e não haja confusão. Confesso que já me aconteceu, não havia seguranças nenhuns, e a situação foi prontamente resolvida. Daí, para quê "segurança" nas discotecas? 

Ainda há outra razões para esta ostracização da minha parte às discotecas, como os preços exagerados, a qualidade duvidosa das bebidas que são servidas ou o péssimo atendimento entre outras que não vou enumerar. Estou a escrever estas linhas e estou já a imaginar a resposta de alguns amigos meus que as irão ler. "Fogo, pareces um velho a falar!" Vai daí... :)

Para terminar em beleza, suprema ironia. Acabei de receber uma sms. "Então? tudo bem? (...) Como é? Vamos pra night [disco]"?

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