Se há peças jornalísticas que eu gosto de ver...

... pelo grau de parvoíce que comportam e por quase parecerem sketchs humorísticos, são aquelas em que as perguntas do jornalista são a resposta do entrevistado. Normalmente, são pessoas idosas e que estão abaladas por uma tragédia ou situação negativa qualquer.
Qualquer coisa do género:

Jornalista
Então isto vai provocar-lhe um grande problema?

Entrevistado
Vai causar-me um grande problema, sim senhor.

Jornalista
E estava à espera que isto lhe acontecesse?

Entrevistado
Não, não estava nada à espera que isto me acontecesse...

Jornalista
E agora já sabe o que vai fazer?

Entrevistado
Não faço ideia do que vou fazer...

Apesar de gostar de ver estas entrevistas, sei a foda que é quando nos devolvem respostas destas. E, muitas vezes, estas respostas só vão para o ar porque:

  1. O editor é um camelo e quer lá saber daquilo. Afinal é o nome do jornalista que assina a peça que lá aparece e pode sempre desculpar-se com a falta de tempo para não ter visionado a peça. (O tempo é uma das desculpas favoritas no jornalismo.)
  2. É preciso que a peça tenha, obrigatoriamente, x segundos/minutos e com aquelas respostas ocas atinge esse tempo obrigatório.
  3. É-se mesmo um nabo e não se percebe nada do que se está a fazer e não há ninguém que chame a atenção à nabice que está a cometer.
  4. Estamo-nos a cagar para aquilo porque estamos fartos daquela merda toda (esta só percebe quem trabalhou na área...)

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