Os 30

Confesso que me faz alguma confusão a forma dramática e até, em alguns casos, fatalista, como alguns conhecidos vêem a aproximação aos 30 anos. Parece que está ali um bicho papão. Que as três dezenas de anos de vida é uma meta que ninguém quer atingir. Comentários como "Olha que já não caminhas para novo" ou ainda "Qualquer dia já tens 30, vê lá!" são o pão nosso de cada dia e trazem sempre aquela carga negativa que se acopla aos 30. Não percebo mesmo.

No outro dia, uma conhecida minha celebrou o seu aniversário. A idade? Exactamente, trinta. E foi vê-la  a tentar conter, dentro dos possíveis a informação sobre a sua idade. Não percebo, não faz sentido. Neste caso em particular, as mulheres, parece-me que têm mais dificuldade em lidar com a aproximação aquela idade. Não será a regra geral, claro. Mas muitas pensarão assim. Até consigo perceber alguns casos. Amigas minhas que já confessaram que tinham a expectativa de aos trinta estarem casadas, serem mães e com uma vida minimamente organizada. Azar do caraças para elas (e, na verdade, para todos nós) vivemos em Portugal, esse belo e singelo país, que insiste em maltratar os seus jovens, os quais, curiosamente, até são o seu futuro. Mas isso agora não interessa nada, pensam. O que interessa é o presente. Depois, no futuro, queixem-se. Além desta última questão, bem... encontrar alguém "em condições" (sendo que nesta expressão "em condições" deve entender aquilo que o caro(a) leitor(a) associa à mesma) é quase tão difícil como a combinação vencedora de um jogo de sorte da Associação Cultural e Recreativa de Stª Eulália...

Mas não. Este "temor" aos 30 não é exclusivamente feminino. Também se move por entre os homens. Todos eles? Não, nem por todos.
Olha, por mim, não. Como comecei por escrever no início deste texto (que já se está a "esticar" como o caraças...) não compreendo a questão dos 30. Confesso que, de certa forma, até anseio um pouco pelos 30. Sim, é verdade. Não tenho problema nenhum em chegar às três décadas de vida. É certo que ainda me faltam mais de 1460 e tal dias para lá chegar, mas não vejo problema nenhum nisso.

Acredito que aos 30 serei menos parvo. Aliás, costumo dizer, em tom de brincadeira (apesar de ser intimamente uma verdade) que quando tiver 30 vou ser uma pessoa melhor. Melhor homem. Mais culto, mais interessante, mais pertinente, mais responsável... (agora, dei por mim a reparar que só deposito esperança em refinar qualidades. Como se os defeitos também não fossem "refinados"...).

Não me incomoda minimamente chegar aos 30. Ou, vá lá, estar a caminhar na sua direcção.