Nos últimos tempos andei a ver..

Neste caso é mais, a rever, a 1ª temporada de "True Blood/ Sangue Fresco". Quando foi exibida, não consegui acompanhá-la em condições (séries de qualidade são sempre exibidas depois da meia-noite...), mas agora dá para perceber todas as subtilezas de mais uma obra-prima de Alan Ball. Um tipo ainda torceu o nariz quando leu que o norte-americano ia escrever uma série sobre vampiros, em plena febre vampiresca, mas tendo no currículo "coisas" como "Six Feet Under/ Sete Palmos de Terra" ou o "American Beauty/ Beleza Americana" havia que dar benefício da dúvida. E, sim. Ball correspondeu e de que maneira. O homem pode fazer uma série cuja ideia principal seja formigas mutantes que pretendem controlar o planeta Terra, que de certeza que vai ser bom. E por falar em bom, em "True Blood/ Sangue Fresco" tudo é bom. Muito bom, mesmo. Desde o genérico que abre cada episódio da série (mais extenso que o habitual numa série televisiva e o próprio detentor de uma qualidade acima do que é comum e que revela o cuidado posto na produção. - talvez só "Mad Men" se equipare a esta atenção aos detalhes), passando pelo elenco, as ideias originais que são exploradas (sangue de vampiro como uma nova droga para os humanos...) e terminando num argumento brilhantemente escrito. Nada de surpreendente para quem era fã de "Six Feet Under/ Sete Palmos de Terra".

Continuando na "onda" dos vampiros... "Let the right on in", um filme sueco que se baseia num romance de um autor da mesma nacionalidade (John Ajvide Lindqvist). Não é o típico filme de vampiros (principalmente se tivermos os filmes "Twilight" em mente). Aborda questões mais complexas que os filmes para adolescentes, que se ficam por paixões e o confronto bem vs mal. Aliás, aqui não há uma fronteira clara entre o bem e o mal (veja-se a cena entre os dois protagonistas em que Eli, a "jovem" vampira diz a Oskar para se colocar na sua "pele" - ter que matar para viver). Não é um filme "à Hollywood" (talvez por isso esteja já a ser rodada uma adaptação norte-americana) e isso nota-se na forma como o filme se desenrola, nas cenas com um ritmo lento ou mesmo sem qualquer diálogo. Bem... é um filme europeu. Sueco. Aqui não há acção nem efeitos especiais aos pontapés. É um óptimo filme. É bom para quem gosta do tema vampiros, mas não gosta dos filmes "Twilight".

"Talladega Nights - The Ballad of Ricky Bobby" é uma comédia onde Will Ferrell está em grande. À primeira vista pode parecer uma comédia pateta e nonsense, na mesma gaveta que "Scary Movie" e os seus vários capítulos. Mas, atentando na ficha técnica do filme há um nome que se destaca, o produtor Judd Apatow. E se tem o dedo de Apatow, um dos maiores nomes da comédia mais independente dos últimos anos ("Anchorman"; "40-year-old Virgin"; "Superbad") tem que ser bom. Guess what? É! Cenas memoráveis, diálogos geniais carregados de referências e trocadilhos (mas que se perdem sempre na tradução das legendas. É preferível ver sem as mesmas ou legendado no inglês original). Um grande filme. Literalmente. São mais de duas horas de comédia.


E agora a desilusão. Andava ansioso por deitar as mãos à segunda temporada de "Flight of the Conchords", protagonizada pelo hilariante duo neo-zelandês. Se a primeira temporada chegou a roçar o brilhantismo nalguns episódios, o segundo capítulo desta saga aparece sem brilho algum. Há episódios muito fracos, sem a qualidade a que fomos habituados. E as músicas... as músicas que são um dos elementos mais importantes da série (para quem não sabe do que estou a falar, veja isto) deixam a desejar, com apenas um par delas a ficar no ouvido (como faziam as da primeira temporada. Bolas! Eu trago aquelas músicas no carro! São autênticas doses de boa disposição para um dia de merda!). E o pior é que não vai haver nova temporada. Ao segundo capítulo, encerra a saga "Flight of the Conchords". E não teve o final mais feliz e que merecia.