Do fisgado à bagagem.

Depois de ter "papado" as cinco temporadas de "How I met your mother" de uma forma até um tanto ao quanto compulsiva, admita-se... acho que é justo afirmar que a sitcom está brilhantemente escrita. Em determinados episódios é arrepiante verificar como nos identificamos com certas cenas ou situações, de tão reais que são.

Nesta última temporada (felizmente já está a ser produzida a sexta), houve dois episódios que me despertaram a atenção, devido à característica que referi acima. Num deles, fala-se de "put someone on the hook" ou de "being hooked". Basicamente, o episódio aborda aquela situação comum de termos alguém "fisgado" ou de estarmos "fisgados" por outrem. Isto é, que atire a primeira pedra quem nunca teve um amigo ou conhecido, que sabemos que está interessado em nós, mas com o qual não pretendemos ter nada, mas que mesmo assim, não abdicamos da sua atenção. Por outro lado, também nos podemos, um dia, ver nessa posição. Perdidos, atrás de alguém de quem gostamos, mas que não nos corresponde da mesma forma. E é ver-nos a fazer as maiores parvoíces por alguém que nem lhes dá o devido valor. Mais uma vez, que atire o primeiro calhau...

No outro episódio, a personagem principal está atormentada por, alegadamente, ter encontrado alguém sem "baggage". O que, segundo ela, é quase impossível. Principalmente para pessoas com idades próximas dos 30 anos. Por "baggage" entenda-se "passado", "fantasmas" ou "potenciais características desagradáveis obtidas através de anos de relações falhadas". Segundo a teoria da personagem, quando temos 20 anos tudo está bem. Porque somos jovens, temos pouca experiência e não fomos vítimas da "baggage" de outra pessoa. Contudo, a partir do momento em que nos vamos aproximando dos 30 torna-se cada vez mais difícil encontrar alguém da mesma idade sem "bagagem". E ninguém quer estar com uma pessoa que tenha "baggage". 

De certa forma concordo com a teoria. Aliás, é fácil dar-lhe razão. O que não falta por aí são pessoas "partidas" ou, vá lá, "fragilizadas" por relações anteriores. Mas, tal como acontece nesse episódio, também depressa concluímos que há uma razão para não querermos alguém com "baggage". É que nós próprios fomos acumulando "bagagem" com o avançar dos anos e deixamos que ela nos influencie, fazendo com que teçamos juízos errados sobre alguém que estamos a conhecer. Por vezes, quem tem a "bagagem" a pesar somos nós, mas tentamos alhear-nos dessa verdade.

Comentários

Mensagens populares