Não tenho muito jeito para crianças. Já me apercebi deste facto muitas vezes. Aliás, invejo amigos meus que conseguem ter à-vontade com crianças, falar com elas, entrar na sua realidade, descer ao mundo delas. Eu não tenho isso. As minhas tentativas acabam sempre por se revelar desastrosas, tratando um miúdo de seis anos como se tivesse dezasseis. Enfim, por outro lado tenho uma série de amigas que me dizem que vou dar um bom pai. Não sei se será verdade, mas parece que as mulheres devem ter um sétimo sentido qualquer que lhes permite reconhecer isso. Se bem que… são minhas amigas. E o meu círculo de amizades não se pauta por muita lucidez naquelas cabeças. Enfim, logo se verá.


Mas o que me levou a dissertar sobre isto foi uma cena que presenciei. Estava eu no corredor do hospital, à espera que me chamassem para fazer um raio-x. Ao meu lado sentou-se uma mulher com a sua filha ao colo. Devido à proximidade era inevitável não ouvir a conversa entre as duas. E foi assim que comecei por dar graças a Deus por não ser pai. Pois jamais teria paciência para a torrente de perguntas com que a miúda (com 5 ou 6 anos) bombardeava a mãe a cada 30 segundos. “Para que é aquela luz? É para avisar as pessoas para não entrarem na sala. / E a outra luz? É para dizer às pessoas que já podem entrar. / E o que é que fazem lá dentro? Tiram fotografias aos ossos das pessoas. / E dói? Não, é como tirar uma fotografia normal, não dói.” E isto é apenas uma pequeníssima amostra dos cerca de dez minutos que estive ao pé delas. Fiquei completamente abismado com a paciência daquela mãe. Não sei se a condição de pai traz como extra, doses intermináveis de paciência. Era bom que trouxesse.


PS: Ainda me lembro da incrível sensação de quando me puseram um bebé de semanas nos braços pela primeira vez. Aquilo é uma mistura de sensações impressionante. Vai do pânico à alegria num segundo!

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