“Não é para o teu bico”

Se há situação certa de nos acontecer durante a nossa vida é aquela em que vemos um agradável espécimen do sexo oposto, em que soltamos um comentário apreciativo, e em que um amigo (?) nosso se sai com o, tão fatal como o destino, “Esquece! Não é para o teu bico!” (também pode entrar na categoria o “É muita areia para a tua camioneta!”).


Ora, eu tenho uma teoria sobre isto. Tenho, aliás, várias teorias sobre várias coisas. E uma delas é precisamente sobre isto. E relembrei-a por ter sido, precisamente hoje, vítima indefesa deste tipo de comentário da parte de um amigo meu.


A teoria é bastante simples. Quando o nosso (suposto) amigo faz aquele comentário ele não está na verdade a avaliar as nossas chances com aquela pessoa. Ele está a avaliar as suas possibilidades. Se ele me dissesse “Então vai-te a ela!” é porque tinha concluído que ele próprio, se quisesse, poderia conseguir qualquer coisa. Como a resposta foi “Não é para o teu bico!”, claramente concluiu que não tinha a mínima possibilidade. E se ele não tinha, automaticamente, eu também não teria. E a “foda” (perdoem-me os mais sensíveis… seus maricas!) é um tipo deixar-se levar nestas conversas. Porque eu não sou ele e nada não me garante hipóteses de sucesso junto da moçoila. Por isso, quando um amigo vosso (ou amiga, que isto também é válido para as mulheres) vos atirar com esse comentário, virem-se para eles, levantem o vosso braço, apontem-lhes o vosso cotovelo, e sem dizer uma única palavra (podem no máximo fazer um sorriso malicioso, vá lá) acariciem o mesmo…