Dons(?)

Nos últimos tempos (há bastante mesmo) tenho vindo a concluir que tenho dois… bem, eu chamo-lhe “dons”. Não sei se será a palavra mais correcta, mas é das que me soa melhor.
E esses dois “dons” são, muito sucintamente: o dom de “servir de confessionário” e do “meter a pata na poça”.

O primeiro… primeiro! Tenho vindo a perceber, ao longo dos últimos anos, que as pessoas olham para mim e devem ver uma espécie de confessionário. Dei por mim, várias vezes, a ouvir os desabafos pessoais de muita gente. Alguns que conhecia mal, outros acabei por vir a conhecer melhor. Mas a verdade é que todos acabaram a desabafar comigo. Já me disseram que era bom ouvinte, tenho paciência para ouvir os outros. E que isso nem toda a gente consegue. Nunca percebi porque me acontece isto. Quem me conhece (bem e) pessoalmente sabe que nem tenho um feitio muito fácil.

Mas, recentemente, deram-me uma razão que eu nunca me tinha lembrado, nem pensado… a minha voz! Bem, eu sou jornalista de rádio. A minha voz é dos meus principais instrumentos de trabalho talvez, por isso, esteja mais trabalhada do que as restantes. Mas não percebo que influência pode ter no facto de levar a que as pessoas venham a desabafar comigo… Haverá relação?

O segundo “dom”, bem… esse não é um de que me orgulhe muito. Penso que todos percebem o conceito de “meter a pata na poça”. Isto é, seguindo a Lei de Murphy que diz que as coisas vão correr mal se poderem correr mal, eu consigo sempre cometer essa proeza. Vai um exemplo?
Se estamos interessados numa rapariga e estamos num concerto com ela vamos querer fazer boa figura à frente dela. Para isso, tentamos dizer coisas interessantes e cativantes, e não pérolas como: “Hei… consigo ouvir-te mascar por cima da música!” (ouvia mesmo!). Ou um, “Olá, fala Coiso, da rádio Coiso, podia falar com o atrasado do secretário? Ah!... (pausa) É o próprio…” ou um “Então como está o Osório? Tá tudo fixe com vocês? Nós já não namoramos. Disse-te ontem…”

E podia continuar a revelar mais alguns, mas iria ser o descalabro total. Pelo que me fico por aqui. Acredito que não sou o único a quem acontecem estas situações. Mas a mim acontecem com uma frequência assustadora!

Comentários

$@rit@ disse…
Olha que essa de servir de confessíonário... eu não sou locutora de rádio e também esse "dom" :D
Coiso disse…
Hei! Eu não sou "locutor de rádio"! Sou jornalista de rádio! São actividades diferentes! :)
Ze_toninho disse…
kem te conhece (bem) e pessoalmente sabe que tu és um bom ouvinte. tens essa caracteristica que te ajuda imenso nas relações humanas

ser bom ouvinte e vagaroso no falar são 2 coisas fenomenais (o vagaroso já n és tanto mas também é uma caracteristica unica)

kuand somos vagarosos pensamos mt bem no que vamos dizer antes de o dizer incorrendo no risco de, por vezes, ser calculistas e frios

kuando o não somos vagarosos dizemos akilo que axamos instantaneamente (por vezes lá saem as pérolas sentimentais)- o ke também n é mau - pelo menos n nos podem acusar de n ser-mos sinceros

kuanto ao confessionário é assim a vida (também podia ser pior - se ninguem desejasse falar ctg eh eh eh)

abraço
Miss F. disse…
Olha que tal juntarmos as nossas bacoradas numa compilação e publicar? É que não sabes como te compreendo!
$@rit@ disse…
AHHH!! Já te estava a imaginar assim com uma voz tipo António Sala, a passar a pão pelos ombros da pessoa que desabafava contigo... com um ar de compreensão... mas assim se não és locutor já não dá :P
Coiso disse…
Quem me dera!... Ter a voz tipo António Sala! Depois só tinha que encontrar a minha "partnére"... uma Olga Cardoso!

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