Plot Point

Quando ainda era estudante (há dois anos atrás, mas já parece que foi para aí à quarenta anos…) tive a oportunidade de estudar guionismo. E a verdade é que ter tido esta cadeira serviu para perceber alguma coisa de argumentos e afins, mas principalmente decifrar muita coisa que passa despercebida ao comum espectador quando está a visionar um filme.


Um dos conceitos mais interessantes que aprendi foi o plot point. Numa tradução livre (para português do Brasil, porque os meus professores eram brasileiros, e neste aspecto estão muito à frente de nós) significa “ponto de virada”, isto é, quando a estória de um filme parece caminhar para um sentido, mas depois sofre uma reviravolta completa, de 180º que apanha o espectador completamente desprevenido. Assim, de repente, para vos dar um exemplo de um filme que ilustra muito bem este conceito, falo-vos do “Saw”. Pelos menos o primeiro. Quem já viu o filme percebe do que falo. Já perto do fim, quando o morto, afinal nunca esteve morto…

Ora, e isto tudo a propósito do “The Dark Knight” que fui ver ontem ao cinema. Infelizmente, os cinemas daqui têm o hábito (de merda, digo eu) de fazer intervalo durante o filme. E a verdade é que até ao intervalo o filme não me pareceu nada de especial. Digno de todos os adjectivos que andam para aí a escrever. No entanto, quando começou a segunda parte, já a estória era outra!
A partir daí, quando tudo parece que se encaminha para um caminho, eis que surge a volta de 180º (o plot point) e percebemos que o filme não vai acabar como esperávamos.

Este é, sem dúvida, o melhor filme da saga Batman. Supera o anterior (do mesmo Christopher Nolan, que já foi uma pedrada no charco) e não sei até que ponto não é superior ao Batman de Tim Burton (na minha opinião são duas interpretações diferentes do universo da personagem).

Depois, bem… depois tem lá o Heath Ledger a encostar o “Joker” de Nicholson a um cantinho… o outro “Joker” fazia jus ao nome, era uma “brincalhão”. O “Joker” de Ledger é um autêntico psicopata, que se diverte com os simples actos de destruir e espalhar o caos. Merece o Óscar? Vamos com calma que o ano ainda vai a meio. Mas não me surpreende a nomeação.

Este é um filme que muito boa gente não vai ver porque pensará que é mais um filme de super-heróis. Pois bem, este filme não se encaixa nessa categoria. Como disse um colega meu, isto é um policial. Tirem de lá o Batman e todo o universo da personagem e continua a ser um grande filme. Sem dúvida dos melhores filmes do ano.

Ó Nolan, faz lá um terceiro que a malta agradece!

Comentários

Angelik disse…
Agora abriste-me o apetite para ver o Batman, que eu nem estava inclinada para ver, sinceramente... mesmo sem intervalos!

Beijokas
Coiso disse…
Vai ver que vale mesmo a pena!

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