Morte e ressurreição... políticas.

Se há coisa que me fascina na política são as “mortes” e “ressurreições” dos políticos.

É incrível como um politico, a dada altura, comete uma enorme gaffe ou as suas decisões revelam-se um completo fiasco, é afastado da “ribalta” (que tanto pode ser a direcção de um partido ou um cargo governativo como Primeiro-Ministro ou Ministro), “morre” politicamente, cumpre um período sabático (pelo menos um ano ou mais) para depois, timidamente, ir reaparecendo nos diversos palcos (sociais, televisivos, políticos). Muitas vezes regressa com uma áurea de “salvador”. Ou seja, a sua “ressurreição”. Parece que quantos mais anos na vida política (esteja ela cheia de asneiras e exemplos últimos de completa incompetência ou não) maior é o estatuto.

Nem precisam de se revelar maus políticos (haverá isso?), até podem ser profissionais e competentes, mas basta que lhes saia em sorte um daqueles cargos que é sinónimo de sarilho como Ministro da Educação, da Saúde, da Economia ou mesmo Primeiro-Ministro, para serem sistematicamente enxovalhados pelos “tugas” (o tipo que inventou esta expressão devia ser sovado…).

Em Portugal temos vários exemplos destas “mortes” e “ressurreições” políticas. Santana Lopes é um dos melhores exemplos. Já foi presidente de Câmara (Figueira da Foz e Lisboa), líder do seu partido, Primeiro-Ministro do Governo mais curto desde o 25 de Abril, já foi completamente “sovado”, mas… ele aí está para as curvas (actual líder parlamentar do PSD) e, com certeza, disposto a novas aventuras (liderança do Partido e candidato à Presidência).
Há casos que roçam o ridículo. O actual Presidente da República. Sem sequer dizer se era candidato ou não, já era o virtual vencedor das eleições. E depois há o Paulo Portas. Envolvido em processos judiciais, investigações policiais e tentativas (cumpridas?) de lesar o Estado e continua por aí, a trabalhar para uma reforma dourada.

Mas os nomes continuam a desfilar… Durão Barroso, António Guterres, Mário Soares, Manuela Ferreira Leite, José Sócrates, etc...

Há alguns (espertos?) que saíram das luzes da vida política mas abraçaram um cargo de administrador (o cargo da moda) numa qualquer empresa, que beneficiaram quando estavam na vida política activa, e vão trabalhando para uma reforma dourada ou, quem sabe, “renascer” para a política.