Tosta Mista... Tosta Mista...


Ontem fui lanchar com uns colegas. Lá entrámos num "tasco" (não era um tasco em si, mas vários anos de convívio com penafidelenses levou-me a chamar "tasco" a tudo a que pessoas normais entendem e apelidam, simplesmente, de "café") prontos a deixar lá uns euros. Café semi-deserto, apenas uns bacanos a um canto, de volta da televisão, a ver os nossos Sub-21 a levar quatro secos (golos) dos russos, e com certeza, a faltar às aulas... Sentámo-nos numa mesa (o que se for levado à letra é idiota, porque nós sentamo-nos sim, em cadeiras... mas enfim...) e lá vem o empregado do "tasco" atender-nos.
Calça das modas, sweat das modas, sapatilha das modas, penteado das modas... tanta moda que se o tipo se mantivesse atrás do balcão, impávido e sereno, quase que apostava que era um manequim de montra duma qualquer marca espanhola que nos invade os centros comerciais. Logo ali me apercebi que algo ia correr mal... Três Seven Up, se faz favor!
Minutos, talvez segundos depois, lá voltou o moço com as três latas num tabuleiro, dando ares de entendido na coisa. Mas como eu nunca me engano (,") lá vem a primeira "pata na poça" do tipo... ao tentar colocar o copo na mesa lá vai este direito ao tampo da mesma, qual João Pinto direito pá piscina... Sorriso amarelo, e uma piada qualquer para quebrar o embaraço do momento... e lá foi à vida dele, que é o mesmo que dizer que foi a correr para ao pé da rapariga que estava ao balcão, com um portátil, a ver algo que o empregado/modelo também tinha muito interesse em ver...
Lá conversámos, eu e os meus colegas, sobre vários temas pertinentes como a crise nuclear iraniana, o aumento do preço da água, o fecho em queda das bolsas norte-americanas, o conselho de chulos… Ministros em Guimarães, a OPA sobre a PT e gajas.
Mas como tantos minutos, em amena cavaqueira, produzem em mim esse estranho fenómeno intitulado fome, lá me lembrei de consultar o menu do “tasco”.
Entre hambúrgueres, panados no pão e cachorros, lá sobressaiu a mítica tosta mista. Escolha feita, a parte mais fácil já está… A parte complicada vem agora, chamar o empregado para fazer o pedido. Empregado este que continuava de volta da moçoila e do portátil…
“Ó faz favor!?” foram para aí uns cinco, “Ó Meireles...”, outros tantos, “Desculpe!” perdi-lhes a conta. Só quando ameacei atirar com a caixa dos guardanapos à “caixa córnea” do empregado/modelo para lhe chamar a atenção, é que um colega meu lhe conseguiu chamar a atenção.
“Diga se faz favor…”
“É a tua cabeça num tabuleiro, se faz favor”
, não o disse, mas vontade não me faltou. “Uma tosta mista, se faz favor.”
Lá voltou para trás do balcão, não sem antes perder mais uns minutos de volta da menina e do computador.
Lá voltei à amena cavaqueira entre amigos. Dez minutos já foram, e a tosta insistia em não dar sinais de vida… Vinte minutos e já era gozado pelos meus colegas pela demora… e o sacana do empregado continuava de volta da rapariga… Meia-hora, 30 minutos e lá vem ela… acompanhada do sorriso amarelo do tardóio (=empregado) e da explicação pela demora. “Aqui está! Normalmente não demora tanto tempo, mas a primeira [tosta] está ali na tostadeira…!” [Tinha-a deixado queimar!] Inexplicavelmente fiquei calado, a pensar sobre o tempo que perderia a insultá-lo…No fim, só me saiu um “Obrigado”. Até os meus colegas ficaram surpresos. Quanto à tosta, se aquilo se apelida de tosta, eu vou ser o próximo Eládio Clímaco deste país…

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